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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

EDITORIAL


INVERSÃO DE VALORES
Cultura da “vitimação” e malandragem
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Helman Telles
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Abaixo segue um texto que - apesar de eu não ter conseguido verificar sua autenticidade - serve de inspiração à presente reflexão.
A inversão de valores, verificadas no aludido texto, se explica na cultura do brasileiro. Cultura herdada do colonialismo, onde sempre se buscou explorar e não criar e desenvolver. Como conseqüência da atitude predatória, tivemos, entre outras, o "sub-produto" retratado no "modo de ser" malandro. Algo louvado na “terra brasilis” como uma coisa muito "inteligente" e, até, para ser ostentada com certo orgulho: a predisposição e aperfeiçoamento de habilidades que levem a tirar vantagem em tudo e sobre todos. Logo, não surpreende que, em uma sociedade amoral e antiética, os valores estejam invertidos. O malfeitor deve ser o infeliz a ser abençoado e a vítima o otário que deve ser esquecido. Isso inclui os dirigentes (quer sejam políticos ou não). Sempre conseguem se safar de seus crimes (tiram umas férias e voltam à ativa, pois a memória do brasileiro é curta).
O que tudo isso tem há ver conosco? Claro que não temos super-poderes e não podemos mudar o país e muito menos o mundo de uma hora para a outra ou, até mesmo, no decorrer de nossas vidas. Quando muito, poderemos cooperar para o progresso de nossos grupos de relacionamentos (família, amizades, trabalho, vizinhança...). Mas... temos que agir e, principalmente, darmos o exemplo. Quase todo brasileiro acha que tem o direito de ser um pouquinho corrupto e uma outra parcela fica na arquibancada do "eu não tenho nada com isso".
Inserido nesse contexto, não espanta, portanto, o fato de que ambulâncias sejam recebidas a pedradas e que profissionais de serviços de emergência tenham seu tempo desperdiçado por mamães que trazem suas filhinhas adolescentes incomodadas com um dentinho erupcionando normalmente (em uma boca saudável). Ou, ainda, que de profissionais, atuando na “atenção básica”, sejam exigidos “milagres” tanto técnicos como burocráticos. Nem um e nem os outros profissionais podem reclamar. Em sua estressante rotina diária, que permite pouca ou nenhuma margem de erro, principalmente em situações gravíssimas, os mesmos não têm qualquer suporte psíquico, laboral e, muitas vezes, sequer jurídico. Para a maioria dos que avaliam “de fora”, aqueles não fazem mais do que a sua "obrigação". Têm que agradar a população (a qualquer custo) - onde o usuário é sempre a “vítima” e o profissional, muitas vezes, o “vilão” - porque isso rende dividendos "políticos". Enquanto tal coisa continuar... o disco se manterá tocando na mesma faixa arranhada e quem ousa denunciar, alertar ou comentar resta ser repreendido ou ridicularizado. Se o fizer entre seus pares, contará contra si com o "tempero" da passionalidade tupiniquim e será alcunhado ou de puxa-saco (por se preocupar com o correto andamento das coisas) ou de chato (por solicitar o auxílio dos demais) ou de anti-"coleguismo" (quando cansado "põe a boca no trombone").

DIREITOS HUMANOS

Carta enviada de uma mãe para outra, em São Paulo, após noticiário na tv:


De mãe para mãe...

Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado. Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência. Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc. Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo. Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu? que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem. No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas ''Entidades'' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar ‘Os meus direitos!''

sábado, 26 de dezembro de 2009

Nota de Apoio aos Servidores da Saúde


As entidades sindicais vêm a público expressar seu apoio à categoria da saúde em período decisivo na luta pela reivindicação de dignidade salarial. O Governo do Estado não cumpre a Data Base, prevista na Lei nº323/2006, que no artigo 100 assegura a revisão anual dos salários. Contraditoriamente diz reconhecer que é legítima e justa a reivindicação dos servidores da saúde. As entidades exigem o cumprimento da lei e o direito que pertence a todos os trabalhadores, o de reposição das perdas salariais pela inflação. A atitude do Governo em querer substituir o reajuste por abono é inexplicável. No ano de 2009, o Governo obteve receita 10,8% maior do que o mesmo período de 2008 segundo dados do DIEESE. Além disso, em plena mobilização dos servidores da saúde, aumentará o teto do Governador do Estado em 50%, onerando a folha do estado em mais de 39 milhões com o efeito cascata para dois mil servidores. Beneficiará também com uma gratificação de dois mil reais a pouco mais de três mil servidores, enquanto 14 mil servidores da saúde continuam com defasagem salarial de 16,76%. Inexplicável também é a postura do Governo que pede a ilegalidade da greve, comportamento do regime militar que não reconhecia os direitos dos trabalhadores na utilização do recurso greve como última alternativa legítima e necessária diante a postura patronal que se negava a negociar. A paralisação dos servidores da saúde, ao contrário do que foi publicado em vários espaços editorias, não só garantiu o atendimento dos casos que competem ao Estado, emergência e urgência, de acordo com o Pacto do SUS assinado entre a SES e Ministério da Saúde, mas também deixou claro os problemas da saúde pública no estado. Quem necessita do SUS sabe o quanto é difícil aguardar anos por uma cirurgia ou um exame de alto custo ou até mesmo ter que viajar horas a fio para conseguir uma consulta. Sem mencionar os hospitais lotados e com longas esperas nas emergências. Faltam funcionários, investimentos, infra-estrutura adequada. Esses problemas são sentidos todos os dias pela população usuária do SUS porque o Governo não respeita o direito de saúde digna da população. Mas o fato pouco interessou a mídia, apesar das inúmeras tentativas do movimento grevista de apresentar a verdade. Neste momento também foram ignorados todos os anos de atos e manifestações públicas encabeçadas pela categoria da saúde, a qual nunca poupou esforços para denunciar a precarização dos serviços públicos de saúde na intenção de exigir a qualidade pública dos mesmos e a contrapartida estadual em termos de investimentos. Diante esta realidade, as entidades registram neste documento incondicional apoio à luta dos servidores da saúde. E exigem do Governo do Estado o respeito à pauta de reivindicação da categoria. SINTRATURB – CONLUTAS – SINTE/SC – SEEB – SINDPREVS/SC – SINTESPE – CUT SC – SINTRASEM – MST - SINTUFSC

Projeto disciplina venda de produtos, equipamentos e materiais de uso clínico odontológico

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Contribuição de Helman Telles
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Os parlamentares aprovaram o Projeto de Lei nº 590/09, do deputado Dagomar Carneiro (PDT), que disciplina venda de produtos, equipamentos e materiais de uso clínico odontológico. A matéria estabelece que a Secretaria de Estado da Fazenda, mediante convênio com o Conselho Regional de Odontologia (CRO/SC), exigirá, para a venda de produtos, equipamentos e materiais de uso clínico odontológico, que o documento fiscal, em campo destinado a informações complementares, informe o número do registro no CRO do profissional ou da pessoa jurídica que adquirir a mercadoria, ou, quando o adquirente for acadêmico de curso de Odontologia, informe o número da matrícula e o nome da instituição de ensino superior.
O parlamentar explica que a proposta deseja deixar claro que qualquer profissional ou pessoa jurídica que possua registro no Conselho Regional de Odontologia, de qualquer estado da federação brasileira, possa comprar equipamentos e materiais de uso clínico odontológico no território catarinense. (Rubens Vargas/Divulgação Alesc)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ainda sobre a Gripe A

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Contribuição de Helman Telles
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Parece que nem os humanos dos ditos países "desenvolvidos", estão livres de serem cobaias para medicamentos desenvolvidos apressadamente (?) ou da ganância financeira dos laboratórios e mercado de medicamentos mundiais.
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BBC

TAMIFLU CAUSOU EFEITOS COLATERAIS E ATÉ PESADELOS EM CRIANÇAS DIZ ESTUDO

Dois estudos divulgados na quinta-feira com crianças britânicas mostraram que mais da metade das que tomaram Tamiflu, o remédio indicado para prevenção e tratamento da gripe suína, sofreram de efeitos colaterais, como náusea, dores, insônia e até pesadelos.

Os estudos foram conduzidos por especialistas da Agência de Proteção de Saúde (HPA, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha e publicadas no site da revista científica Eurosurveillance.
Em um dos estudos, os dados foram levantados em uma escola no sudoeste da Inglaterra. As crianças – de 11 e 12 anos de idade – começaram a tomar a medicação depois que alguns colegas foram diagnosticados com gripe suína.
Os pesquisadores investigaram dados de 248 crianças que tomaram o remédio apenas para prevenção da doença.
'Comportamento estranho'
"Cinquenta e um por cento tiveram sintomas como náusea (31,2%), dor de cabeça (24,3%) e dor de barriga (21,1%). Apesar de algumas crianças estarem doentes com algum tipo de sintoma parecido com os da gripe, nenhuma estava infectada com o vírus A (H1N1)", diz o estudo.
Segundo a pesquisa, 77% das crianças fizeram o tratamento completo com Tamiflu e 91% usaram o remédio por pelo menos sete dias seguidos.
Os cientistas disseram que os efeitos pesquisados são comuns e que "o desconforto dos efeitos colaterais precisa ser considerado" pelos pais que dão o Tamiflu para seus filhos como forma de prevenção.
Outro estudo do HPA em três escolas de Londres, também publicado no Eurosurveillance, com 103 crianças mostrou que 85 delas tomaram a medicação para se prevenir, depois que um colega de aula foi diagnosticado com a gripe. Uma das escolas chegou a ficar fechada por dez dias.
Dos 85, 45 sofreram pelo menos um dos efeitos colaterais. Os mais comuns foram náusea (29%), dores estomacais ou cãibras (20%) e problemas de sono (12%), como insônia e pesadelos.
Dezoito por cento sofreram efeitos neuropsiquiátricos, como falta de concentração, sensação de confusão, pesadelos e "comportamentos estranhos".
O estudo foi conduzido em abril e maio, antes de o governo britânico parar de indicar o Tamiflu para prevenção. Atualmente o remédio é usado apenas para tratamento de pessoas já infectadas ou com suspeita.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SÃO PAULO APROVA COBRANÇA EM HOSPITAL PÚBLICO.

Ricardo Westin*
03/09/2009
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A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na quarta-feira, por 55 votos a 17, o projeto de lei que permite que todos os hospitais estaduais sejam terceirizados e, apesar de públicos, atendam a pacientes particulares e de planos de saúde, mediante cobrança. O Ministério Público do Estado afirmou que, assim que a norma entrar em vigor, ajuizará ações contra a sua execução. Na visão do Ministério Público, a futura lei fere os princípios de igualdade e universalidade do SUS (Sistema Único de Saúde), pois criará um tratamento diferenciado para os pagantes.Para que se torne lei, o texto aprovado pelos deputados precisa ser sancionado pelo governador José Serra (PSDB). A aprovação é dada como certa, já que o projeto original foi apresentado pelo governador. Durant e a votação de ontem, funcionários públicos fizeram protestos e chegaram a xingar a relatora do projeto, a deputada Maria Lúcia Amary (PSDB). A futura lei é especialmente polêmica na questão da venda de até 25% dos atendimentos dos hospitais públicos terceirizados a pacientes particulares e de planos de saúde. Os críticos dizem que se trata de uma "privatização da saúde pública". Na visão desses críticos, os pacientes que pagarem pelo atendimento ou utilizarem seus planos de saúde entrarão numa fila mais rápida, em detrimento dos pacientes do SUS, relegados a uma fila mais lenta. Os hospitais atenderão de maneira seletiva porque, segundo esse raciocínio, os planos de saúde pagam mais que o sistema público pelos procedimentos médicos. "O SUS já não consegue atender à demanda atual. Não há vagas sobrando nos hospitais. Como querem separar 25% para pacientes particulares? Haverá um claro prejuízo à população que depende do SUS", diz Anna Trotta, promotora de Justiça da área de saúde pública. A promotora diz que, se o governador sancionar a lei, entrará com ações civis públicas contra os contratos de terceirização que vierem a ser firmados entre o Estado e as OSs (organizações sociais) permitindo o atendimento de pacientes particulares. E que alertará o procurador-geral da República para que avalie a necessidade de entrar no Supremo Tribunal Federal com uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) contra a lei paulista. O governo argumenta que a lei não prejudica os pacientes do SUS: "Continuarão a ser atendidos normalmente, conforme a produção prevista em contrato de metas [das OSs] com a Secretaria [da Saúde]". A deputada relatora do projeto argumenta que o dinheiro pago pelos pacientes ou seus planos de saúde serão investidos nos próprios hospitais, para subsidiar o atendimento dos pacientes do SUS. À proposta aprovada ontem foi acrescentada a permissão para que também as instalações estaduais culturais e de esportes estaduais sejam terceirizadas, como museus e clubes.

* da Folha de São Paulo
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u618843.shtml)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

EDITORIAL

APATIA E ALIENAÇÃO
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Helman Telles

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Mais do que nunca, os acontecimentos que se impõem sobre a categoria de cirurgiões-dentistas da SMS faz urgente a necessidade de união dos diversos setores representativos da Odontologia, não só no município como no próprio Estado ou mesmo, em última instância, no país. Isso porque os efeitos do que tem sido feito a tais profissionais não ficarão circunscritos aquele meio específico, a saber: o do funcionalismo público. Não é nenhum segredo a defasagem numérica de profissionais no quadro e a necessidade de novas contratações. Ora, os profissionais que adentrarão ao serviço serão oriundos das faculdades estabelecidas neste estado ou em outros integrantes da Federação, assim sendo as entidades que chamam para si os recém formados alegando serem representativas dos interesses destes não podem ignorar que estes profissionais recém ingressos no mercado de trabalho e outros poderão necessitar de empregos junto ao serviço público municipal. Cobrar taxas e fazer discursos sedutores não vão resolver a situação destes colegas. Outros que já se encontram de algum modo estabelecidos quer no setor privado ou público devem ter em conta que seus filhos poderão seguir a mesma carreira dos pais e, no futuro, necessitar de condições dignas de trabalho não só em prefeituras, como em clínicas privadas que oferecem serviços de qualidade duvidosa e exploram um sem número de recém formados e profissionais que passam por alguma dificuldade em se firmar nesse competitivo mercado.

No último dia vinte, tivemos uma reunião na Câmara de Vereadores com diversos representantes daquela casa, para discussão de correções e melhorias no PL 1.031/09. Foi com muito pesar que pudemos constatar a ausência tanto de representantes do SOESC como do CRO, a nível oficial. Louvável a atitude da ABO que se fez representar na pessoa de sua Presidente, que inclusive desmarcou reunião anteriormente agendada. Mais lamentável ainda foi a falta, severamente sentida, daqueles, supostamente, mais interessados nos assuntos a serem discutidos. De cerca de 130 dentistas empregados na rede, estavam presentes em torno de apenas 30 (!), ou seja: nem metade do efetivo. Todos querem saborear os frutos da vitória, quando esta porventura é alcançada, mas, eticamente, têm direitos a eles somente os que ajudaram na semeadura e cultivo das condições que puderam promover benefícios à nossa categoria. Qualquer indivíduo com um mínimo de consciência moral sabe que, uma vez integrante de uma categoria, procede muito mal – para não dizer desonestamente - quando se esquiva de ajudar seus colegas a lutar por causas que são, também, de seu interesse. Como destacou o colega Adalton, “temos que comparecer para mostrar união. Vereador quer ver gente, onde ele enxerga muitos votos”.
É lastimável ter que escrever linhas como estas, em que se constata um comportamento aberrante, quando analisado à luz da lógica acadêmica porém, quando interpretado pelo viés da “razão tupiniquim”, nada mais do que conclusões óbvias são obtidas. Infelizmente, faz parte de nossa cultura o comodismo. As pessoas têm preguiça em reivindicar, em serem participativas, em serem solidárias, tanto a nível familiar como social. A imensa maioria dos habitantes da “terra brasilis” não lêem e chegam a se orgulhar disso! Exclamam de “boca cheia” que para isso não têm disposição, contudo, surpreendentemente, têm enorme ânimo para acompanharem “Big Brothers” e assemelhados, novelas triviais e joguinhos de várzea. Eu mesmo pude constatar como diversos colegas acompanham com inusitado interesse os desdobramentos daquele, primeiro citado, "programinha" da rede Globo. Como diante disso cobrar presença, participação e interesse para com questões grupais quando as pessoas não se interessam nem por si próprias? Nesse sentido, parece haver um certo tropismo pela morbidez e pela auto-imolação. E, claro, é muito mais fácil culpar aos outros do que avaliar a si próprio e assumir a devida responsabilidade sobre os efeitos deletérios da omissão pessoal. Creio que venha a calhar o texto abaixo “Sarney e Eu”, atribuído a um certo Adelécio Freitas e postado no Odontofloripa pelo colega Augusto Aita.

Não é de hoje que se reconhece a apatia e inércia da maioria dos brasileiros em relação a seus direitos, aos acontecimentos políticos, a participação social, a movimentos trabalhistas bem como a indiferença diante da corrupção, do desmando, da impunidade, e da falta de transparência das ações governamentais entre outras letargias públicas e privadas.

Os colegas parecem não se dar conta que a única maneira de sair da alienação é se instruindo – inclusive para além das fronteiras específicas da profissão – e desenvolvendo a “consciência crítica”, base da consciência trabalhista e política. Essa transformação precisa ocorrer com cada um de nós, chegar a cada ULS e alcançar cada rincão onde se encontre um de nós em serviço ativo na PMF. Estas transformações, mais do que metamorfoses de ocasião devem ocupar a função de disseminadoras da cidadania, que nenhum de nós pode prescindir sob qualquer alegação. Idem, caprichos pessoais não devem nos eximir da responsabilidade social, o que inclui atuar conjuntamente na defesa de interesses comuns.

Encerro meu comentário destacando que muitos de nós dormem ou se comportam como cegos “enquanto a banda passa”, com isso correm o risco de se transformarem em meras marionetes do sistema.

SARNEY E EU

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Contribuição de Augusto Aita

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por Adelécio Freitas

Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira. No dia da manifestação me bateu uma preguiça... Após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuaise bastante divulgada pelo twitter. Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso. Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000? Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??.... Não demorou muito para a ficha cair. Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui. Eu esperava que “alguém” iria no meu lugar.Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem. Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia. Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade. “Que bunda- mole!!!”. Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense(ou BMB). Existem bunda- moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal!!Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De Brasília né.... já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá.Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem. Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia... Mais BMB impossível!!Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público ( o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!!Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!!Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença? Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização.O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno. Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais.Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer. Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos). Somos testemunhas do surgimento de uma geração despreparada, tanto para a cooperação quanto para a competição, sem espírito empreendedor, fadada à eterna submissão ao “salvador da pátria” de plantão.
Assistimos de nossos computadores, quando estamos fazendo cera no trabalho, ao maior atentado à democracia desde o golpe de 64, mas desta vez o golpe não está sendo feito com armas. Está sendo feito com a ridicularização das instituições, com a banalização dos escândalos, com a desmoralização da ética e com a idiotização do contribuinte. A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência. Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões.Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice. Bunda-moles de todo o país uni-vos! Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney! Viva Collor! Viva Maluf! Viva Roriz! Viva Renan Calheiros! Viva Jader Barbalho! Viva Romero Jucá! Viva Delúbio! Viva o presidente que não viu nada! Viva a República das bananas do Brasil!Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o Jornal Nacional já vai começar.

Adelécio Freitas (um BMB legítimo)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CONDUTAS A SEREM SEGUIDAS PELOS CIRURGIÕES DENTISTAS COM O OBJETIVO DE REDUZIR A TRANSMISSÃO DO H1N1

ESTADO DE SANTA CATARINA
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
SUPERINTENDENCIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
DIRETORIA DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA
DIVISÃO DE SAÚDE BUCAL
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NOTA TÉCNICA CONJUNTA Nº. 08/09/DIVE/DIVS/SAUDE BUCAL/SES/CRO-SC

Assunto: Orienta quanto às condutas que devem ser seguidas pelos cirurgiões dentistas com o objetivo de reduzir a transmissão do vírus H1N1 no estado de Santa Catarina.

Desde que a Organização Mundial de Saúde declarou a Influenza A (H1N1) como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (24/04), têm-se observado algumas mudanças importantes, que apesar de dinâmicas, fornecem indicativos de como intervir e intensificar medidas e ações que visem reduzir o risco de transmissão do vírus H1N1 no estado. Pelo ineditismo, trata-se de uma situação de saúde pública complexa e que precisa do envolvimento e coesão de esforços de toda a sociedade catarinense, essencialmente na implantação e divulgação das medidas necessárias e adequadas sobre as formas de prevenção e controle da Gripe A.

No que se refere ao atendimento clínico de rotina, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e o Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina, RECOMENDAM que:

· Sejam observados todos os procedimentos de biossegurança e a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPI).

· Enfatizam a importância do uso correto de máscara de proteção respiratória, já que o contágio inicia-se antes dos sintomas típicos da doença. A utilização de luvas, não exclui a lavagem das mãos que deverá ser feita com freqüência.

· Toda a equipe odontológica deverá dar atenção especial aos cuidados de biossegurança, principalmente os recomendados em relação às doenças respiratórias.

As ações que todos os Consultórios, Clínicas e Prontos Socorros Odontológicos devem adotar para evitar a disseminação do vírus Influenza A (H1N1), são as mesmas elaboradas pela COORDENADORIA DE CONTROLE DE DOENÇAS do estado de São Paulo, através do seu Informe Técnico Conjunto CVS/CVE - 04/2009:

1) Todo paciente com síndrome gripal (febre acima de 38ºC acompanhada de tosse ou dor de garganta) deve adiar a consulta ao dentista por no mínimo 7 dias a partir do início dos sintomas ou após a cessação dos sintomas respiratórios.

2) Elaborar, por escrito e manter disponíveis, normas e rotinas dos procedimentos adotados na prestação de serviços de assistência odontológica a pacientes que sejam casos suspeitos ou confirmados de infecção por Influenza A (H1N1).

3) Afixar cartazes com orientações aos pacientes sobre higiene respiratória.

4) Fornecer máscara cirúrgica ao paciente com síndrome gripal, enquanto espera o atendimento.

5) Em caso de necessidade de tratamento dentário de urgência, os profissionais devem adotar as seguintes recomendações:

a. Fornecer máscara cirúrgica ao paciente com síndrome gripal ou identificado como suspeito de infecção pelo vírus Influenza A, enquanto espera o atendimento.
b. Como os procedimentos realizados são geradores de aerossóis, em caso de atendimento aos pacientes com síndrome gripal, suspeitos ou confirmados.
de infecção pelo vírus influenza A H1N1, é necessário o uso da precaução respiratória para aerossol, máscara de proteção respiratória (Respirador Particulado), com eficácia mínima, na filtração, de 95% de partículas de até 0,3μ (tipo N95, N99, N100, PFF2 ou PFF3). A máscara de proteção respiratória deverá estar apropriadamente ajustada à face. O uso, manipulação e armazenamento devem seguir as recomendações do fabricante.
c. Além da máscara, outros equipamentos de proteção individual (EPI) como gorro, protetor ocular ou facial, luvas e avental devem ser utilizados pela possibilidade de respingos nos olhos, nariz, boca e pele, durante a realização dos procedimentos.
d. Após o uso, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) deve ser descartado imediatamente em lixo para materiais contaminados.
e. Os que não forem descartáveis devem ser higienizados com água e detergente neutro e fazer desinfecção com álcool a 70%.
f. Adotar outras medidas preventivas associadas às medidas de precaução, tais como:

· Freqüente higienização das mãos, principalmente antes e depois da assistência ao paciente e após a retirada de EPI.
· Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca.
· Evitar tocar superfícies com luvas ou outro EPI contaminado ou com as mãos contaminadas. As superfícies referem-se àquelas próximas ao paciente (mobiliário e equipamentos para a saúde).
· Evitar tocar em superfícies, tais como: maçanetas, mesas, interruptor de luz, caneta, chaves etc, com luvas e/ou mãos contaminadas.

Medidas Gerais:

a. Manter o ambiente/consultório bem ventilado;
b. Higienizar as mãos com água e sabão líquido antes e após o atendimento de pacientes e após a retirada dos EPI;
c. Disponibilizar recipiente com álcool-gel a 70% na sala de espera, para uso dos clientes e acompanhantes;
d. Utilizar barreiras de superfície e sobre as luvas e substituí-las após o atendimento ao paciente;
e. Manter a rotina estabelecida de limpeza e desinfecção de superfícies, inclusive do piso da sala de atendimento, que deve ser intensificada após o atendimento de caso suspeito ou confirmado de infecção pelo vírus Influenza A (H1N1);
f. Manter a rotina estabelecida para limpeza e esterilização do instrumental utilizado nos pacientes;
g. Utilizar sistema de sucção de alta potência para evitar a dispersão de aerossóis;
h. Preferencialmente, esterilizar as peças de mão após o uso. Peças não autoclaváveis devem ser limpas com água e detergente neutro, secadas com papel descartável e em seguida friccionadas com álcool a 70% por três vezes;
i. Descartar os resíduos sólidos gerados, conforme o preconizado pela RDC ANVISA nº 306, de 07 de dezembro de 2004:

· Máscara N95: recomendado uso em período médio de 7 dias, acondicionada em local limpo e seco.
· Descartar a máscara sempre que apresentar sujidade ou umidade visível.
· Avental: Preferencialmente descartável (uso único). Em caso de avental de tecido, este deve ser reprocessado em lavanderia hospitalar.
· Óculos de proteção: Limpeza com água e sabão e, se necessário, desinfecção por fricção com álcool 70% após cada uso.
· O descarte dos EPI deve ser tratado como resíduo infectante. Informa ainda aos Cirurgiões Dentistas que estão disponíveis no site SES/SC (www.saude.sc.gov.br) e CRO/SC (www.crosc.org.br) os documentos e links com as informações detalhadas sobre essas recomendações. Ao divulgar essas orientações, a SES e o CRO-SC esperam promover a melhor arma contra a influenza A: Prevenção.

Florianópolis, 12 de julho de 2009.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

H1N1, EPI's e DISCUSSÕES‏

Helman Telles
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Há muito estamos sendo tratados como categoria quase que insignificante e nossa capacidade de reação encontra-se bastante esmorecida. Contudo, parece que neste ano de 2009 se fazem sentir os primeiros sinais de ressuscitamento de nossa "voz".

Vem, oportunamente, a calhar esta questão da máscara PFF2 (conhecida por “bico de pato”). Informo que desde que a, pouco conhecida, “Comissão de Controle de Infecções na Rede Básica” foi criada, e da qual eu era membro integrante, vinha defendendo este tipo de máscaras (ou, melhor, respiradores) para a categoria odontológica. Contudo, não somente neste aspecto, como em diversos outros, a Comissão não foi “ouvida”. A mesma foi instituída por ato do Dr. Manoel Américo e “renomeada” para “Comitê para Padronização de Materiais de Enfermaria e Cirurgia” (vejam que nome sugestivo), via PORTARIA/SS/GAB/Nº 048/2007, pelo presente Secretário de Saúde, onde eu, como único odontólogo, continuo figurando como membro (mas tão só figurando – uma vez que não sou comunicado das reuniões). A Comissão, com o nome anterior, nunca foi recebida por nenhum Secretário. Desde então diversos problemas vêm se arrastando, desde a devida capacitação para uso de autoclave, implementação do uso de testes biológicos, que dizem respeito - também - à Odontologia e, mais especificamente, a questão dos aventais descartáveis e os tais PFF2, agora sob a luz dos holofotes, por conta da famigerada “Gripe Suína” ou Influenza A subtipo H1N1 também conhecido como A(H1N1).

Quando estava lotado na ULS - Agronômica, junto com a Dra. Silvana, já realizávamos atendimentos de casos suspeitos ou confirmados de TB, com respiradores PFF2 fornecidos pelo Hospital Nereu Ramos. O jaleco descartável, idem, era fornecido por eles.

Ao ser inaugurada a UPA- Sul solicitei em uma das primeira CI’s o fornecimento deste respirador para a equipe odontológica, no que não fui atendido.

Levanto tais questões para destacar que NÃO é por causa da presente pandemia e subseqüente histeria coletiva bem como do oportunista interesse mercadológico de fornecedores de EPI’s e – claro – das benéficas discussões oriundas, que nós, CIRURGIÕES-DENTISTAS, “podemos”, então, usar os PFF2. Em uma avaliação responsável ou que se pretenda científica sempre DEVEMOS usar tal EPI. Por uma questão muito simples e antiga: o contato extremamente próximo com AEROSSÓIS.

Nenhum paciente chega com aviso “na testa” que é portador do “Bacilo de Koch” ou Mycobacterium tuberculosis e nem, tampouco, do H1N1.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) "orienta aos médicos que tenham contato com pessoas com suspeitas da doença e com pacientes que estejam com a gripe suína devem jogar fora a máscara após o contato com esses pacientes".
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1102846-16726,00.html

A polêmica questão de que o uso dos PFF2 deve se prolongar por 30 dias me parece – até que se prove o contrário – uma tolice, pelo simples fato de infringir a lógica proposicional, ou seja:

Se:

P1: os PFF2 ao serem molhados (respingos de sangue e outros fluídos) devem ser descartados.

P2: Cirurgiões-dentistas lidam com situações em que o contato com respingos de sangue, saliva, pus e aerossóis são uma constante.

Logo: Cirurgiões-dentistas devem descartar os PFF2 sempre que contaminados. O que ocorre diária ou quase diariamente.

É evidente que existem questões de custo, etc e tal. Mas daí a afirmar-se, em um primeiro momento, que nem precisaríamos desses respiradores “por não termos contato próximo ao paciente” (como cheguei a ouvir) ou que as tais EPI’s estavam destinados, prioritariamente, aos médicos e enfermeiros (como foi veiculado), ou – ainda – que os PFF2 devem ser usados ininterruptamente por 30 dias (!!!) é um absurdo, tanto lógico como ético e científico.

Não encontrei, até o presente momento, qualquer literatura que referende esse prazo. Abaixo, segue um artigo com instruções de uso, cuidados e advertências, acerca do uso dos PFF2.

Parabéns aos que se preocuparam com essa questão e se posicionaram no [Colegas PMF]. Que essas discussões sejam o "pontapé" inicial para o resgate de nossa dignidade.

Acerca da Pandemia de Gripe A (H1N1)

Contribuição de Augusto Aita
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Não costumo compactuar com nenhuma forma de "teorias da conspiração", pela natureza sensacionalista e fantasiosa da esmagadora maioria.Porém, este texto, tem argumentações bastante sensatas.Leiam e tirem suas conclusões.

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PANDEMIA... DE LUCRO...

No mundo, todos os anos morrem dois milhões de pessoas vítimas da malária, que poderia ser prevenida com um simples mosquiteiro. E os jornalistas não dizem nada disso. No mundo, todos os anos dois milhões de meninos e meninas morrem de diarréia que poderia ser tratada com um soro oral de 25 centavos. E os jornalistas não dizem nada disso. Sarampo, pneumonia, doenças curáveis com vacinas baratas, causam a morte de dez milhões de pessoas no mundo todos os anos. E essas notícias não são divulgadas. Mas há alguns anos atrás, quando a gripe aviária surgiu, inundaram o mundo de notícias, sinais de alarme… Uma epidemia, a mais perigosa de todas! Uma pandemia! Só foi falado da terrível doença das galinhas.. Porém, o influenza causou a morte de 250 pessoas em todo o mundo. 250mortos durante 10 anos, para o qual dá uma média de 25 vítimas ano. A gripe comum mata meio milhão de pessoas todos os anos no mundo. Meio milhão contra 25. Um momento: então, por quê se armou tanto escândalo com a gripe aviária? Está claro. Porque atrás dessas galinhas havia um ''galo'', um galo de espora grande. O Laboratório farmacêutico Roche com o seu famoso Tamiflú, vendendo milhões de doses aos países asiáticos. Embora o Tamiflú seja de efetividade duvidosa, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a população deles. Com a gripe aviária, Roche e Relenza, as duas grandes companhias farmacêuticas que vendem esses antivirais, obtiveram milhões de dólares de ganância. Antes com as galinhas e agora com os porcos. Sim, agora a psicose começou com a gripe suína. E os jornalistas do mundo só falam disto. Eu desejo saber: se atrás das galinhas havia um ''galo'', atrás desses porcos não haverá um ''grande porco''? Porque indubitavelmente são as multinacionais poderosas que vendem os remédios supostamente milagrosos. E a quanto eles vendem o ''milagroso'' Tamiflú? 50 dólares a caixa. 50 dólares uma caixa de pastilhas? Que negocião! A companhia norte americana Gilead patenteou o Tamiflú. O acionista principal desta companhia é um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, o secretário de defesa de George Bush, autor da guerra contra o Iraque. Os acionistas do grupos Roche e Relenza estão se dando as mãos, felizes com as vendas milionárias do duvidoso Tamiflú. A verdadeira pandemia é o lucro, a enorme ganância destes mercenários da saúde. Se a gripe suína é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, se para a Organização mundial da Saúde (OMS) ela preocupa tanto, por quê não declara isto como um problema de saúde pública mundial e autoriza a fabricação de medicamentos genéricos para a combater?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Reflexão Ética

Helman Telles
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Aristóteles convenceu-se de que Platão demonstrou, com seu modo de viver, que é possível ser feliz e virtuoso - ao mesmo tempo - e que é impossível, em algum momento, ninguém assim o ser. Não faço tal separação entre esses termos, do mesmo modo que não apoio a cartesiana disjunção entre mente e corpo. A priori (designação aqui empregada ao modo kantiano), penso que aquele conjunto é indissolúvel, sendo impossível ser - de fato - feliz sem ser virtuoso. Contudo, concordo com Habermas que nos lembra que "enquanto basearmos a moral, que fornece o critério para a investigação de si mesmo, apenas no conhecimento humano, no sentido socrático ou kantiano, faltará a motivação para converter em prática os julgamentos morais." Diante disso, não poderia ser mais precisa, ainda que desoladora, a observação de Kierkegaard ao criticar a sociedade cristã, supostamente cônscia e esclarecida de sua moral entretanto, extremamente corrompida: "Disso, pode-se tanto chorar quanto rir ao se perceber que todo esse saber e essa compreensão não exercem nenhum poder sobre a vida das pessoas". Para Habermas, "o recolhimento cínico de um estado injusto do mundo não falam em favor de um déficit de conhecimento, mas de uma corrupção do desejo. As pessoas que melhor poderiam sabê-lo, não querem compreender". Esse desinteresse pela aplicabilidade do pensamento ético, essa falta de desejo por uma ética prática é o que impede, do meu ponto de vista, o estabelecimento do "ser virtuoso" aos indivíduos. O hiato entre o modo de ser - caráter -, o cognitivo e o modo de agir, ou seja: a inexistência de um amálgama entre o ethos, o cogito e a praxis é a responsável pelo estabelecimento e manutenção da infelicidade individual e, por extensão, coletiva que, em um efeito feedback, distorce ou corrompe o desejo, se não impede a construção de um ethos capaz de unir o pensamento à prática.

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